São João fica em casa


Venha ver maria bonita,
Espia que decepção!
Tantos anos festejando,
Quadrilha, fogos e balão.
Estou triste encabulado,
Um vírus ter cancelado;
Nosso belo São João.

Cuma é meu lampião,
Me diga como vai ser?
Sem forró e sem fogueira,
Pro mode nos aquecer?
Um luz onde não brilha,
E um São João sem ter quadrilha;
Ainda tava por ver!

Pois chega ité a doer,
Acredite maria bonita!
Não ver ruas enfeitadas,
Nem moça com vestido de chita.
Dá um tranco no coração,
Que a quadrilha mirim luar do sertão;
Não vai poder se mostrar na fita.

Quem danado acredita,
Meu querido Lampião!
Que um São João não festejando,
Poderá ser um são João.
Oh que vírus mais canalha,
Impedir a quadrilha chapéu de palha;
Levantar poeira e emoção!

Vou fazer uma oração,
Que Santo Antonio me escute:
Livrai-nos dessa peste,
Muita saúde agente desfrute!
E no dia dos namorados,
Eu e tu Maria agarrados;
Em um amor que repercute.

Vá com calma não se refute,
Inclua na oração.
Muito desejo e energia,
Todo quanto sente seu coração.
A fé é importante,
Mas dançar bem elegante;
Não tem pareia meu lampião!

É muita contradição,
Você há de concordar!
Ficar mofando dente casa,
Nem a rua pode olhar.
Maria me seja franca,
Nem a quadrilha asa branca;
Vai poder se apresentar?

Nem comece a sonhar,
Com esse olhar de alegria!
É preciso salvar vidas,
Quantas o corona levaria?
Tá todo mundo amedrontado,
E o São João foi adiando;
Por causa da pandemia.

Quem diria oh Maria,
Tudo isso acontecer!
O mundo todim parar,
Pra poder sobreviver.
Parem tudo fica em casa,
Só não deixe a fogueira sem brasa;
E nem o São João morrer.

Tens razão, deixas eu dizer:
Que o São João é o sentimento,
É a vontade, é o querer,
A intenção no pensamento.
Nem que o trem saia do trilho,
Minha fogueira não perde o brilho;
Nem meu São João se perde no tempo.

A vida é como o vento,
Passa depressa ou devagar!
Aproveitar cada momento,
E sempre que poder se festejar.
Vou ali em toda carreira,
Buscar lenha pra fogueira;
E milho pra nós assar.

Não esqueça quando vir de lá,
Do toco de mororó.
De um pedaço de jabá,
Um osso de mocotó.
O São João tá dentro de mim,
E quando a pandemia chagar ao fim;
Vamos dançar quadrilha e muito forró.

Marcos Santos

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